Quando todos achvam que o Palmeiras tinha perdido o fôlego, o anjo negro surgiu para colocar a equipe nos eixos. Obina marcou três dos quatro gols dos paulistas e manteve o alviverde na liderança da competição. Além de impedir que o Palmeiras deixasse a ponta, a vitória serviu para dar uma injeção de ânimo no elenco para o clássico contra o Corinthians, no próximo domingo.
2. A doce rotina de triunfos do tricolor (São Paulo 1×0 Internacional)
Pela primeira vez (ainda que apenas por uma noite) o São Paulo alcançou a primeira colocação do campeonato. Em se tratando dos atuais tricampeões brasileiros, isso pode ser mais do que um acaso. Eles estão acostumados a vencer e, agora que sentiram o gostinho da liderança, o Palmeiras que se cuide. Mas temos que ser justos. Não estão jogando o mesmo futebol que jogaram nos anos anteriores. Se levarem a taça, será muito mais pela raça do que pelo talento (o que não é demérito algum).
3. Azul da cor do mar (Cruzeiro 3×2 Santo André)
Não falo mais em mala branca! Deixando isso bem claro, vamos ao Cruzeiro. A equipe está fazendo um segundo turno impecável. Não joga o futebol mais bonito. Não são os mais raçudos. Não são os mais técnicos. Mas são os mais regulares (no segundo turno, que fique bem claro). É por isso que merecem estar brigando por uma vaga no G4 e, quem sabe, pelo título. A vitória sobre o Santo André com o gol da virada nos acréscimos foi uma mostra de que a equipe de Adílson Batista pode até fracassar no fim, mas vai lutar até o último segundo. Palmas para eles.
Todo fim de campeonato é a mesma coisa: a tal da “mala branca” (quando uma equipe é paga por uma terceira para vencer uma partida) pra cá, a tal da “mala preta” (quando é paga para perder) pra lá. Será que um dia isso irá mudar? Acredito que não.
Essa é uma característica, principalmente, dos campeonatos de pontos corridos, que geram uma aberração quando chegam em sua reta final: times na luta pelo título ou fugindo do rebaixamento convivendo com equipes que já não possuem nenhuma pretensão. O resultado costuma ser uma vitória fácil de quem ainda precisa vencer.
As equipes cujas tabelas não preveem esses confrontos ditos mais fáceis acabam, naturalmente, se sentindo prejudicadas. Tá certo que é incômodo ver times acomodados atrapalhando o clima de competição, mas isso é inato a qualquer torneio. Não adianta protestar.
O problema é quando surgem estes “incentivos”, as famosas malas. Não acho que a “mala branca”, como a que alguns jogadores do Barueri dizem ter recebido do Cruzeiro para ganhar do Flamengo na noite desta quarta, deva ser considerada ilegal. Afinal de contas, o Barueri venceu por mérito próprio. Mas ela acaba com, digamos, a “natureza” da competição.
O campeonato teve um desenrolar que levou equipes como Barueri, Avaí, Santos e Atlético-PR a não precisarem fugir da zona da degola mas também a não terem mais como projetar voos maiores. Portanto, é natural que alguns clubes se beneficiem enfrentando esses times neste momento da competição. Foi o caso do Flamengo nesta rodada, assim como será o caso do São Paulo (que enfrentará o mesmo Barueri no próximo sábado) e do próprio Cruzeiro (joga contra o Atlético-PR no dia 22).
Após a derrota do Flamengo e a vitória do Cruzeiro sobre o Santo André, lembrei das palavras de Adílson Batista, no último domingo, no vestiário do Pacaembu depois da vitória celeste sobre o Corinthians por 1 a 0. “Ninguém acreditava na nossa reação. Mas já ultrapassamos o Goiás e vamos agora passar o Flamengo”.
Na quarta-feira o Cruzeiro chegara aos mesmos 51 pontos do rubro-negro e ultrapassava os cariocas no quesito número de vitórias. Fiquei impressionado em como o técnico cruzeirense estava certo em sua afirmação feita três dias antes.
A história da “mala branca” não diminui em nada a reação azul-e-branca. Mas convenhamos que é muito mais fácil de se fazer previsões, posar de bicho-papão, quando, além de fazer a sua parte, você ainda prejudica seus concorrentes.
Espero que essa “mala branca” não tenha existido. Mas, caso tenha ocorrido, torço para que Adílson, grande técnico que é, não tenha nada a ver com esta história. E que ela só sirva para incendiar ainda mais o campeonato.
Não dá pra esperar que um filme dirigido por Michel Goundry (Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Rebobine, por favor) e Bong Joon-ho (O hospedeiro), além do francês Leos Carax, tenha pé nem cabeça. Tokyo! são três histórias passadas na capital japonesa. Todas irradiadas pela cultura pop de Tóquio. A primeira, dirigida por Goundry, é uma fábula deliciosa sobre uma mulher que, de tanto se sentir inútil, acaba virando uma cadeira (literalmente). A segunda, de Leos Carax, não chega a ser tão interessante, mas se salva pela ótima atuação de Denis Lavant, como o sr. Merda, um estranho homem que vive no subterrâneo de Tóquio. Já a terceira, a história de um homem que não sai de casa para absolutamente nada, é uma chatice. Joon-ho não consegue ser irreverente nem inteligente e o ritmo do filme cai de forma drástica. O longa tem estreia no Brasil prevista para 27 de novembro. Veja o trailer.
(500) dias com ela (500 days of summer)
O longa de estreia nos cinemas do diretor de videoclipes Marc Webb é apaixonante. Um dos melhores filmes deste festival. A história é a mais simples possível: “garoto conhece garota. Ele se apaixona. Ela não”. O segredo está no tato de Webb, que foge do jeito tradicional de se fazer comédias românticas, e na protagonista Zoey Deschannel (Sim, senhor!). Não há como não se derreter após ouvi-la cantar “There’s a light that never goes out”, do The Smiths. Ah! E por falar em Smiths, tem a trilha sonora: estremamente pop e irresistível. A produção deve chegar aos cinemas brasileiros no dia 06 de novembro. Assista ao trailer.
Vincere
Este filme italiano dirigido por Marco Bellocchio mostra a ascenção e glória do ditador Benito Mussolini através do ponto de vista de sua amante Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno). Ele a conhece ainda jovem, tem um filho com ela e, mais tarde, a tranca em um manicômio para esconder sua infidelidade. A boa mistura de cenas fictícias com imagens reais é o grande trunfo da produção. O filme ainda não possui previsão de estreia. Veja o trailer.
Bastardos Inglórios (Inglorious basterds)
(500) dias com ela só não foi o melhor filme deste festival porque Bastardos Inglórios também estava lá. Quentin Tarantino está em sua melhor forma. Recria a história sem se preocupar em ser verossímel ou politicamente correto (o que é melhor ainda). Brad Pitt tem mais uma daquelas atuações capazes de calar a boca de seus críticos (as outras foram em Os doze macacos e O curioso caso de Benjamin Button). O filme já está em cartaz. Confira o trailer.
Há cinco semanas não se fala em outro filme nos Estados Unidos. Atividade paranormal (Paranormal activity), produção modesta feita com “meros” U$ 15 mil, está fazendo tanto sucesso nos cinemas americanos que tem sido comparada à A Bruxa de Blair (The blair witch project), outro longa de baixo orçamento que arrebatou milhões de dólares de bilheteria. No último fim de semana, o filme deixou de ser apenas o mais comentado para ser também o mais visto. De sexta a domingo, arrecadou U$ 22 milhões e já soma um acumulado de mais de U$ 62 milhões.
O segredo do sucesso está na premissa inusitada. Incomodados com os estranhos sons que ouvem dentro de casa, um casal decide instalar câmeras para descobrir o que vem causando estes ruídos. O filme é o conteúdo destas gravações.
O dono da ideia é o programador de softwares Oren Peli. Foi ele quem escreveu e dirigiu a história que vem assustando multidões nos Estados Unidos e no Canadá. Em entrevista ao site americano Cinematical, Peli conta que pensou no filme após passar por uma experiência muito parecida com a do casal protagonista de seu primeiro longa.
Ao contrário do apartamento onde morava, a casa para a qual me mudei fica numa vizinhança muito silenciosa. Então você passa a prestar atenção em cada sonzinho porque, como não tem nenhum vizinho, basicamente não deveria ouvir nada. Sempre que escuta pequenos rangidos e batidas começa a se perguntar o que está acontecendo. Tenho certeza de que a maior parte destes sons são devido à estrutura da casa, mas, ainda assim, toda vez que ouço sons estranhos fico me perguntando de onde eles vêm.
Esse tipo de coisa me fez imaginar como eu poderia tentar descobrir o que está acontecendo e, sendo o tecnonerd que sou, minha primeira ideia foi instalar câmeras pela casa. Na verdade, não fui em frente com ela, mas me levou a pensar em o quão assustador seria se você tivesse câmeras funcionando em sua casa enquanto dorme e elas realmente captassem algo.
E assim ele, a namorada e seu melhor amigo começaram a transformar aquela ideia em realidade. Devido ao baixo orçamento e à equipe reduzida, até o casal protagonista teve que trabalhar como cinegrafista.
Ele (Micah Sloat, o protagonista masculino) operou a câmera boa parte do tempo. Algumas vezes, quem controla a câmera é a Katie (Katie Featherston, namorada de Micah na trama). Em todas as outras cenas, a câmera está apoiada no tripé, na bancada da cozinha etc.
A primeira versão do filme foi entregue à Paramount Pictures em 2007. Em 2008, a Dreamworks, através de Steven Spielberg, entrou na jogada. O filme só foi lançado este ano após ter seu final modificado. Segundo Peli, o desfecho que chegou às telas foi sugerido pelo próprio Spielberg.
Por falar no diretor de Tubarão e E.T., corre uma lenda segundo a qual Spielberg levou uma cópia do filme para casa e, após assistir ao DVD, teria ele mesmo vivenciado uma atividade paranormal.
Sim, de fato eu fiquei sabendo disso logo depois de ter acontecido. Toda essa história de como as portas de seu quarto se trancaram por dentro…pessoalmente, eu acredito. Não é apenas uma jogada de marketing criada para o lançamento do filme. Eu a ouvi há um ano e meio.
Parte do sucesso do longa se deve também à estratégia de lançamento. A campanha massiva na internet, com direito a fãs pedindo a exibição do filme em sua cidade e sendo convocados a tuitar suas reações após assisti-lo, aliada aos boatos envolvendo a experiência de Spielberg ajudaram a tornar este longa “amador” em um grande sucesso.
Os bons números de Atividade Paranormal não chegam a ser surpresa. Filmes que se vendem como reais estão se tornando cada vez mais comuns e vem recebendo ótimos retornos de público e crítica. Os exemplos mais notáveis são os de A Bruxa de Blair (1999), Cloverfield, monstro (2008) e REC (2007). Ao que tudo indica, o terror é o gênero que melhor se apropriou desta linguagem. Mas a comédia Borat (2006), do inglês Sacha Baron Cohen, é uma mostra de que outros gêneros também podem se aventurar no estilo. A estreia de Atividade paranormal no Brasil está prevista para 04 de dezembro.
1. Olha o Galo aí gente! (Atlético – MG 1×0 Vitória)
O Palmeiras tanto tentou que conseguiu: de líder inconteste e favoritíssimo ao título, agora o time tem o Atlético – MG ali no seu cangote. Há apenas um ponto de distância. A vitória sobre a equipe baiana foi magra e burocrática, mas suficiente para dar mais moral ainda ao time mineiro, que deve crescer nesta reta final de brasileiro.
2. Eles estão vivos (Internacional 1×0 Grêmio e Santos 3×4 São Paulo)
Inter e São Paulo não viviam bons momentos no campeonato. Podiam ter ultrapassado o líder Palmeiras mas, assim como a equipe alviverde, perderam pontos preciosíssimos. Foram ultrapassados por Atlético – MG e ainda viram Flamengo e Cruzeiro se aproximar. Mas nesta rodada os dois times mostraram poder de reação vencendo clássicos difíceis. Melhor ainda para o tricolor, que venceu uma partida de forma capaz de devolver a confiança a qualquer torcedor. Na próxima quarta-feira, os dois medem forças no Morumbi. Promessa de jogaço!
3. Urubu e raposa incansáveis (Botafogo 0×1 Flamengo e Corinthians 0×1 Cruzeiro)
As duas melhores campanhas do returno. É inegável o poder de superação de Cruzeiro e Flamengo neste campeonato. Para os mineiros talvez seja um pouco tarde para sonhar com título (ou não, nunca se sabe), mas uma vaga na Libertadores é muito possível. Já os rubro-negros se credenciaram na briga pelo hexacampeonato. Dessa vez o Flamengo não jogou bem, mas ainda assim continua ganhando. Em qualquer conversa de botequim a torcida já comenta: “Deixaram chegar…”.
A vantagem desta continuação é o traço mais autoral dado pelo diretor estreante em longas Marcelo Galvão, que deixou o filme com cara de thriller sobrenatural. Comparado a este, Bellini e a esfinge (o primeiro) fica parecendo apenas uma trama policial daquelas bem tradicionais. Fábio Assunção está bem no papel do protagonista Remo Bellini, mas sua atuação não chega a ser tão estupenda, como alardearam por aí. Veja aqui o trailer.
O dia da transa (Humpday)
Pela sinopse, esperava algo mais no estilo das comédias de Judd Appatow (O virgem de quarenta anos e Se beber, não case). Dá só uma olhada: Ben tem um emprego fixo, leva uma vida tranquila ao lado da esposa e prepara-se para construir uma família. Andrew, seu antigo colega de faculdade, tornou-se um artista de rua que viaja pelo mundo. Um dia Andrew aparece no meio da noite e propõe a Ben uma volta aos velhos tempos de folia, arrastando-o para uma festa regada a álcool, drogas e sexo. Quando surge o assunto de um concurso pornô, os dois amigos se desafiam mutuamente a participar. Juntos, decidem que o filme mais audacioso que poderiam fazer seria se transassem um com o outro diante da câmera. O filme não chega a ser uma comédia rasgada e o tal filme pornô que move a história demora a acontecer (ou a não acontecer). A ideia da diretora Lynn Shelton é fazer uma sátira do gênero bromance (quando o relacionamento entre dois amigos é o foco). Boa iniciativa. Mas podia ser melhor explorada. Confira o trailer.
Nada pessoal (Rien de Personne)
Assim como O dia da transa, Nada pessoal também me remetia a um filme. A história de uma festa promovida por uma empresa farmacêutica que, não demora muito, se revela uma grande dinâmica de grupo, traz a memória o excelente O que você faria? (El metodo). Mas, infelizmente, a ideia não é tão bem explorada como no longa espanhol. Todavia, o filme tem seus méritos. Mostrar as mesmas situações através de pontos de vista diferentes é um deles.
Dançando com o diabo (Dancing with the devil)
Espécie de Notícias de uma guerra particular melhorado (não que o filme de João Moreira Sales seja ruim, longe disso). O documentário do inglês Jon Blair trata de um tema já batido nas telonas: a violência na cidade do Rio de Janeiro. Ainda assim, o cineasta conseguiu trazer algo de novo para a discussão. Além de ouvir os policiais e o pastor Dione (famoso no Rio por tirar bandidos do crime e levá-los para sua igreja), ele tem um contato com traficantes que dificilmente a imprensa brasileira (ou ao menos a carioca) conseguiria. Pra quem gosta do assunto é um filmaço. Aqui você assiste a uma reportagem exibida no Fantástico sobre o documentário.
No Segundo Caderno, do jornal O Globo, desta sexta-feira, o diretor José Padilha falou ao repórter Rodrigo Fonseca sobre o tão aguardado Tropa de Elite 2. O cineasta, responsável pela direção do primeiro longa, desmentiu os boatos que davam conta da participação de Selton Mello, confirmou o ator João Miguel (Estômago) no elenco e negou que o capitão Nascimento (Wagner Moura) seria promovido a Secretário de Segurança nesta continuação.
Veja abaixo alguns momentos da entrevista. A reportagem na íntegra você pode ler aqui.
Milícias
Faltou dizer algo no primeiro filme. Não se falou da mudança radical da situação da segurança pública no Rio com a chegada das milícias. Que mudança foi essa? O que acontece com um local onde existe a Polícia Militar, quando surgem organizações de milicianos que operam como a máfia.
Selton Mello
Eu queria ter o Selton, que é um ator maravilhoso. Mas ele filma o novo longa dele (como diretor) na mesma época em que a gente começa a rodar. Já tínhamos um elenco muito bacana no primeiro filme. Para entrar alguém, tem que ser alguém que some, como Selton poderia somar, ou como João Miguel, que está confirmado, ao lado do Wagner, do Milhem Cortaz (o corrupto capitão Fábio) e do André Ramiro, que foi o Matias, verdadeiro protagonista do “Tropa 1″, em contraste com Nascimento, que era mais um narrador.
História de Tropa 2
Quando a trama de “Tropa 1″ acontece, o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) tem cerca de cem homens. Como fica a situação do batalhão com 400 homens? “Tropa de elite 2″ vai se passar no presente, olhando para o futuro. Mais importante do que apontar historicamente a formação das milícias no Rio é entender as consequências que elas geraram.
Além do Bope
Conversando com antigos secretários de Segurança, eles me disseram que, no passado, se a Civil entrasse em guerra, pouca coisa mudava na cidade, pelo menos na primeira semana. Já se a PM fizesse greve, seria um caos. Hoje, é diferente. A Civil é mais necessária, porque é ela quem combate as milícias, como nas ações da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado).
Estratégia para evitar pirataria
Vamos fazer tudo (o processo de finalização) fora do Brasil. Só chego aqui com o interpositivo (base para a geração das cópias dos filmes), revelo e lanço. A melhor maneira de nos protegermos é fazer todos os processos que correm o risco de deixar o filme vazar em algum lugar onde as pessoas não estejam tão interessadas por ele quanto nós.
“Será que dá tempo?”, “Não vai dar para esperar nem os créditos passarem”, “Assim que acabar uma sessão, vou correndo para asssistir à outra”. Como de costume, o Festival do Rio 09 foi uma verdadeira maratona para os cinéfilos cariocas, que tiveram que montar as mais mirabolantes estratégias para dar conta de assistir aos mais de 300 filmes exibidos no evento.
Como o festival tecnicamente só acabou mesmo nesta quinta-feira (durante uma semana após o encerramento há a tradicional repescagem, onde alguns filmes são exibidos novamente) deixei para esta sexta um balanção com as bombas e as pérolas da programação (é claro que estamos falando apenas das produções às quais eu consegui assistir). Vamos a elas?
Matadores de vampiras lésbicas (Lesbian vampire killers)
Se você não tem estômago e bom humor, fuja desse filme. Já para os amantes do bom trash, preparem-se: o longa é tão divertido quanto despretensioso. O próprio título já diz tudo. Tem muitas mortes, muito sangue, muitas vampiras gostosas e lésbicas e muita gosma. A previsão de estreia é para o próximo dia 30. Veja o trailer.
Viajo porque preciso, volto porque te amo
Vencedor do Redentor de melhor direção, o docudrama de Marcelo Gomes (Cinema, aspirinas e urubus) e Karim Aïnouz (Madame Satã e Céu de Suely) mostra de forma belíssima os sentimentos que permeiam a cabeça do protagonista. Amor, solidão, ódio e tristeza se revezam no coração deste viajante que, abandonado pela mulher que ama, segue viagem pelo nordeste brasileiro. A ideia do “documentário” em primeira pessoa, no qual o condutor da história nunca aparece diante da lente, é muito bem realizada. Mas um aviso aos despreparados: tomem muito café antes da sessão, pois o filme é bem lento.
Olhos azuis
Vencedor do prêmio principal do Festival de Paulínia, o drama de José Joffily (Dois perdidos numa noite suja) tem o efeito de um soco no estômago. A expressão é pra lá de clichê, mas é exatamente com essa sensação que fiquei após a exibição. O filme incomoda, dá raiva, te faz querer se manifestar. O cineasta brasileiro fala com maestria da questão da imigração nos Estados Unidos. O final, que não vou contar é claro, é catarse pura. A estreia está prevista para 12 de março.
Bad lieutenant: Port of call New Orleans
A mais nova produção do alemão Werner Herzog lembra o aclamado Chinatown (1974), de Roman Polanski. O filme conta a história de um tenente da polícia viciado em Vicodin que precisa desvendar o mistério em torno do assassinato de uma família de imigrantes senegaleses. Herzog nos faz rir da corrupção do policial, que não tem a menor gota de escrúpulo. Mas o grande trunfo do longa está mesmo na atuação de Nicolas Cage. Quando já não se esperava nada mais deste ator, ele vem com uma atuação soberba. Candidato fortíssimo ao Oscar do ano que vem. Assista ao trailer.
Na falta do que fazer, um grupo de pessoas edita trailers de filmes famosos e reformula toda a sua proposta. Depois de alterarem sons e imagens e acrescentarem novos letreiros, fazem da aventura De volta para o futuro um drama digno de Oscar. Já Top gun – Ases indomáveis, vira um romance gay. Os Re-cut trailers (trailers reeditados, numa tradução livre) são um exemplo bem-humorado de ócio criativo.
Abaixo seguem dois exemplos, mas a web está tomada de mais versões alternativas para sucessos do cinema. Libere sua mente e imagine como O iluminado, de Stanley Kubrick, seria se a Globo decidisse passá-lo na Sessão da Tarde. Para quem achar que é fácil tornar um terror mais leve, segue também o exemplo do contrário. No segundo caso, Mary Poppins, aquela do musical da Disney, se torna uma bruxa capaz de deixar até Bette Davis de cabelo em pé. Hide your children.
Filmes cujas histórias giram em torno do tempo geralmente me agradam. Sejam tramas envolvendo viagens temporais, como a trilogia De volta para o futuro e os filmes da série O exterminador do futuro, quanto sinopses que tratam do encontro entre o passado e o presente. A casa do lago (The lake house) é um bom exemplar deste segundo caso. O cineasta argentino Alejandro Agresti (Valentín) enche de romance uma história que poderia ser uma ficção científica e acerta em sua aposta.
A história é surreal. Duas pessoas que vivem em anos diferentes (a personagem de Sandra Bullock está no ano de 2006, já o personagem de Keanu Reeves, em 2004) começam a se comunicar através da caixa de correios de uma antiga casa no lago. Eles se apaixonam e decidem que vão superar a barreira cronológica e irão se encontrar.
A despretensão de Agresti é o grande trunfo do longa. Ele não quer nos apresentar uma grande história, apenas uma fábula moderna sobre o amor. A trilha sonora água com açúcar contribui e o filme se torna leve e agradável.
A casa do lago flerta o tempo todo com o ótimo Alta frequência (Frequency), de 2000. Assim como no filme de Gregory Hoblit, os dois protagonistas não resistem à tentação de modificar o tempo e logo começam a tentar mudar seus destinos.
Por falar nos personagens centrais, Keanu Reeves e Sandra Bullock mostram química. O curioso é que os dois não são grandes atores, mas, pela segunda vez [a primeira foi com Velocidade máxima], formam uma boa dupla.